Artista: Bob Dylan
Música: Tombstone blues
Álbum: Highway 61 revisited
Produção de Bob Johnston e Tom Wilson - 1965
Controvérsia canção de Highway 61 revisited, onde Bob Dylan, mestre com as palavras, passeia pela história da humanidade com controvérsia e um bom humor bastante perigoso. Os primeiros versos criam uma atmosfera conspiratória, com imagens de uma noite onde o cavaleiro Paul Revere ronda os limites de uma cidade, planejando uma conquista (Paul Revere era um mensageiro/espião americano, que contribuiu na independência), enquanto a segunda estrofe glorifica, de uma forma ou de outra, imagens míticas de foras-da-lei como Belle Star e Jack, o estripador (característica já recorrente nas letras de Dylan).
Em seguida, indo na direção dos ventos libertários da década de 60, Dylan banaliza o sexo, com um pequeno conto de oito estrofes sobre uma noiva (moderna, diga-se, pois a letra faz menção a um fliperama) estuprada pelo seu companheiro. Como se voltasse no tempo, Dylan chega ao novo testamento, satirizando (de uma maneira que, pessoalmente, me incomoda) João o batista (muito mais provavelmente como referência ao Santo católico, do que ao homem em si) e o "Comandante chefe", que todos sabem quem é. Os versos provavelmente abordam a viagem e colocam as duas figuras como fanfarrões.
Retrocedendo ainda mais, chega-se ao velho testamento, narrando uma parta de um conflito entre Israel e os filisteus, onde estes são canonizados (ou se não chega a tanto, pelo menos o maniqueismo é desconstruído. Em seguida, Dylan vai para os anos de inquisição, narrando a perseguição e morte de Galileu em versos enxutos, com uma imagem maquiavélica e poderosa, onde Dalila ri diante da morte do cientista renascentista.
Os versos finais da canção apontam os nomes de Beethoven e Ma Raney (a mãe do blues) para nos alinhar no espaço/tempo ao século XIX, onde os EUA crescem como potência, espalham sua ideologia imperialista pseudo-religiosa pela América, desbravando o Oeste e sufocando a sociedade em definitivo (notar as referências ao asilo e a universidade, a aurora e o anoitecer da vida humana, então).
Por fim, e não menos importante, o refrão é extremamente moderno e metalinguistíco, e as frenéticas viagens pela história das estrofes se contrastam brilhantemente com a monotonia, quase rotineira, da vida de pessoas comuns, que trabalham e vivem suas vidas miseráveis em todos os lugares e em qualquer tempo. Na última estrofe, Dylan pede desculpas às senhores com sabedoria inútil, pois não é capaz de fazer uma canção simples. Pelo contrário, esfrega a triste verdade nas nossas caras, que somos apenas futura poeira histórica diante da história da humanidade. Finitos nessa nossa existência, conscientes dessa finitude diante da morte (o blues da lápide).
A melhor música de um dos maiores álbuns da história do rock 'n roll.
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